Plano de saúde barato: cuidado

Não há nenhum problema em procurar um plano de saúde barato, com uma cobertura adequada e que se encaixe dentro do orçamento disponível. Na verdade, todo o cliente deveria fazer isso pois ajudaria a tornar o mercado mais eficiente.

O problema é não prestar atenção aos fatores que estão por trás de planos de saúde baratos: rede credenciada reduzida, abrangência da rede credenciada pequena, coparticipação ou planos coletivos.

A presença de um ou mais desses fatores não necessariamente é ruim mas aumenta o risco de deixar o cliente na mão quando ele mais precisar de atendimento.

Vamos ver como cada um desses fatores pode impactar no atendimento do cliente. Os dados utilizados nessa matéria são de uma pesquisa do Idec realizada na cidade de São Paulo no ano de 2017.

Rede credenciada reduzida no plano de saúde barato

Uma rede de atendimento reduzida não significa necessariamente deixar o cliente na mão. Mas aumenta muito a probabilidade de quando o cliente precisar de atendimento, não consegui-lo dentro dos prazos máximos de atendimento pela credenciada determinados pela ANS.

A redução da rede nos planos de saúde baratos é maior entre as operadoras de grande porte. Por exemplo, o número de hospitais disponíveis para os consumidores dos planos mais baratos da Amil corresponde a apenas 4% do que existe em sua opção top de linha: são apenas três para os primeiros, contra 69 para os segundos. 

Veja a tabela com a redução da rede de atendimento para os planos de saúde baratos de algumas operadoras:

Operadora

Nº de hospitais nos planos mais completos

Nº de hospitais nos planos mais baratos

Amil

69

3

Caixa

80

12

Notre Dame

93

16

Ameplan

22

6

São Cristóvão

30

15

Como dissemos antes, uma rede de atendimento reduzida não necessariamente implica má qualidade de atendimento. Mas, não deve ser por mera coincidência que  Amil e Notre Dame, que estão entre as que mais enxugam a quantidade de hospitais nos planos de saúde baratos, receberam o maior número de reclamações feitas à ANS:

  • sobre qualidade da rede: foram 106 e 86 queixas, respectivamente, em fevereiro de 2017;
  • sobre prazos de atendimento: foram com 111 e 87 reclamações, respectivamente, em fevereiro de 2017.

Já entre as operadoras de plano de saúde de médio e pequeno porte, a redução na rede de atendimento não é tão grande, pois elas contam com uma menor capacidade de atendimento, o que justifica que não reduzam ou reduzam pouco a rede de atendimento no plano de saúde mais barato delas.

Pequena abrangência da rede credenciada

Se o cliente não se deslocar para longe de onde mora, a pequena abrangência da rede credenciada não é um fator para causar grande preocupação.

Mesmo sem esse deslocamento, uma pequena abrangência sempre reduz o número de profissionais e estabelecimento da rede de atendimento, o que pode impactar nos prazos de atendimento do cliente.

Agora se o cliente se desloca para para longe, inclusive para outros estados, a pequena abrangência sim é um fator preocupante pois o cliente pode ficar sem atendimento quando estiver longe de sua residência, tendo que contar com o SUS.

Coparticipação no plano de saúde barato

A coparticipação reduz sim o valor da mensalidade do plano de saúde mas a economia acaba não sendo tão grande: entre os planos pesquisados pelo Idec, a coparticipação reduziu, em média, 22,8% do preço da mensalidade.

Mas essa redução aumenta a imprevisibilidade do cliente quanto ao que vai custar sua mensalidade caso precise utilizar muitas o plano de saúde.

No caso da coparticipação, em alguns casos, o barato realmente pode sair caro.

Planos coletivos

Talvez esse seja o principal fator para tornar um plano de saúde barato e é o que pode mais causar dor de cabeça ao cliente no futuro.

A maioria dos planos de saúde comercializados hoje no Brasil é coletivo, seja empresarial (contratados por uma empresa) ou por adesão (contratados por meio de associações profissionais, sindicatos, etc.).

Os planos coletivos costumam ter a mensalidade, no momento da contratação, até 40% mais barata do que os individuais/ familiares. Mas essa diferença de preços tende a durar pouco já que o índice de reajuste dos planos coletivos não é controlado pela ANS.

O interesse das operadoras nesse tipo de plano vem da quase certeza de que a mensalidade inicialmente barata será compensada no futuro com reajustes mais altos.

Essa quase certeza das operadoras em índices de reajustes mais altos ocorre porque elas tem grande poder de negociação para aplicarem altos índices de reajuste nos contratos – inclusive o reajuste por sinistralidade. Caso os clientes do plano não aceitem o índice, elas podem cancelar unilateralmente o contrato mas devem dar os motivos para o cancelamento.

imagem mostrando médico segurando um porquinho em alusão a um plano de saúde barato
O plano de saúde barato adota pelo menos um de quatro fatores de barateamento que se não forem cuidadosamente analisados no momento da contratação podem deixar o cliente na mão quando mais ele precisar.

O que podemos perceber é que um plano de saúde barato adota pelo menos um dos fatores analisados acima para baratear a mensalidade, e que, individualmente ou em conjunto, podem ter grande impacto sobre o consumidor.

Existem sim planos de saúde mais baratos que não vão falhar na hora de atender o cliente, principalmente quando ele mais precisar do plano. Por isso recomendamos que ao procurar contratar ou fazer portabilidade para um plano de saúde barato consulte um corretor especializado em planos de saúde.

 

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