Os dois reajustes que existem
Seu plano pode subir por dois motivos diferentes, e misturar os dois é a confusão mais comum.
Reajuste anual, por variação de custos. Acontece todo ano, no aniversário do contrato.
Reajuste por faixa etária, quando você muda de faixa. Acontece só nas trocas de faixa, e tem regra própria.
Nos anos em que os dois coincidem, a mensalidade sobe duas vezes — e é aí que o susto aparece.
Quanto pode subir em 2026
| Tipo de contrato | Teto |
|---|---|
| Individual ou familiar | 5,11% — autorizado pela ANS |
| Coletivo empresarial | sem teto da ANS |
| Coletivo por adesão | sem teto da ANS |
Os 5,11% são o menor reajuste positivo da história da ANS, e valem para cerca de 7,7 milhões de beneficiários — os de contrato individual ou familiar.
E essa é a diferença mais importante do setor. A maior parte dos contratos hoje é coletiva, e para esses não existe índice máximo. O reajuste é negociado entre a operadora e quem contratou — a empresa, a entidade de classe ou a administradora. Você, beneficiário, não participa dessa negociação.
Isso não significa que qualquer número vale. Os tribunais usam o índice da ANS como referência de razoabilidade, e exigem justificativa técnica para reajuste por sinistralidade. Mas o caminho é outro, e começa por pedir os cálculos.
Por que o coletivo sobe mais
Três razões que vale conhecer antes de contratar, não depois:
Não há teto. Já dito, e é o principal.
A negociação é entre a operadora e o contratante, não com você.
O reajuste por sinistralidade. Se o grupo usou mais que o previsto, a operadora repassa. Em contratos pequenos, isso oscila muito.
Uma proteção que existe e quase ninguém conhece: contratos coletivos com até 29 vidas são agrupados num pool de risco. O reajuste é calculado sobre o conjunto, não sobre o seu contrato — então o seu uso individual não determina o seu aumento. A operadora divulga esse índice uma vez por ano.
Reajuste por faixa etária: as dez faixas
Para contratos assinados a partir de 1º de janeiro de 2004, valem dez faixas — hoje na RN 563/2022, que substituiu a RN 63/2003:
0 a 18 · 19 a 23 · 24 a 28 · 29 a 33 · 34 a 38
39 a 43 · 44 a 48 · 49 a 53 · 54 a 58 · 59 ou maisA ANS não define o percentual de cada faixa. Quem define é a operadora, e os valores precisam estar no contrato e no registro do produto.
O que a ANS define são três limites:
A última faixa não pode custar mais de seis vezes a primeira.
A variação acumulada entre a 7ª e a 10ª faixa não pode superar a acumulada entre a 1ª e a 7ª. Na prática, isso impede concentrar o aumento no fim, em cima de quem está mais velho.
Nenhuma mudança de faixa pode ter percentual negativo.
E aos 60 anos?
Não existe faixa nova aos 60. A última começa aos 59 e vai até o fim da vida — ou seja, depois dos 59 você não tem mais aumento por idade.
Isso não é acaso: o Estatuto do Idoso veda a discriminação por idade na cobrança, e o desenho das faixas foi feito para respeitar isso.
Atenção aos contratos antigos. Os assinados entre 1999 e 2003 seguem sete faixas, e os anteriores a 1999 e nunca adaptados seguem o que estiver escrito neles — às vezes com faixas aos 60, 65 e 70. São esses que mais geram discussão judicial, e onde vale checar o contrato com atenção.
Quanto as operadoras realmente cobram pelas faixas
O limite é seis vezes. Nem todas chegam perto dele — e a diferença pesa muito mais no longo prazo que trinta reais na entrada.
Pelos valores das nossas tabelas, da primeira faixa até os 59 anos ou mais:
| Operadora | Multiplica por |
|---|---|
| Amil pela Supermed | cerca de 6 |
| SulAmérica | cerca de 6 |
| Assim | 5,4 a 6 |
| Select Saúde | 4,9 |
| NotreDame Intermédica | cerca de 4 |
| Leve Saúde | 2,6 a 4 |
Amil e SulAmérica trabalham no teto legal. Leve Saúde e NotreDame envelhecem bem mais devagar.
Se você pretende manter o plano por décadas, esse número importa mais que o preço de entrada. Entre multiplicar por 6 e por 4, a diferença no fim da vida contratual é de 50% na mensalidade.
Os valores por faixa de cada operadora estão nas tabelas de preço.
O reajuste não pode vir antes de um ano
Nem anual nem por faixa etária podem ser aplicados em intervalo menor que doze meses do contrato ou do último reajuste. Dois aumentos no mesmo ano é irregular, salvo quando um é anual e o outro é de mudança de faixa — que são coisas distintas e podem coincidir.
Se o seu reajuste veio alto
Três passos, nesta ordem:
Peça o demonstrativo de cálculo por escrito. No coletivo, você tem direito a saber a memória de cálculo e o índice de sinistralidade aplicado.
Confira contra o contrato e o índice. Se é individual, compare com os 5,11%. Se é coletivo, verifique se o percentual tem justificativa técnica.
Abra uma NIP na ANS se não bater. É gratuita, e a operadora responde sob risco de multa. Veja como usar a NIP.
Há um passo a passo mais detalhado em reajuste abusivo: defenda-se.
Antes de contratar, olhe o envelhecimento
É o conselho que mais economiza dinheiro e que ninguém dá na hora da venda.
Peça a tabela completa de faixas etárias, não só o preço da sua idade. Ela é obrigatória no contrato, e mostra o que você vai pagar aos 59.
Pergunte se o contrato é individual ou coletivo. Muda tudo no reajuste, e muita gente descobre depois.
Compare o multiplicador entre operadoras, não só a mensalidade de hoje.
Próximo passo
Me diga sua idade, o tipo de contrato e o reajuste que veio. Eu confiro se ele está dentro da regra — e, se não estiver, digo o caminho.
E se você está escolhendo plano agora, me pergunte pelo multiplicador de faixa etária das operadoras que estiver considerando. É a conta que quase ninguém faz e que decide quanto você vai pagar daqui a vinte anos.
