Compra de carência: o que é, e por que ela não é portabilidade

O que é

Compra de carência — também chamada de redução ou aproveitamento de carências — é quando a operadora aceita descontar o tempo que você já cumpriu no plano anterior, reduzindo as carências do plano novo.

O termo vem da propaganda e ainda aparece em folheto. Hoje ele se materializa num termo aditivo ao contrato, com as regras da operadora que está te recebendo.

A diferença que decide tudo

Compra de carência e portabilidade parecem a mesma coisa, e não são.

 Compra de carênciaPortabilidade
O que écondição comercial da operadoradireito previsto em regra da ANS
Quem define as regrasa operadoraa ANS
Tempo mínimo no plano atualo que a operadora aceitar2 anos (3 com CPT, 1 nas seguintes)
Carência de partonormalmente não aproveitaaproveita
Doença preexistente e CPTnormalmente não aproveitaaproveita
Compatibilidade de preçonão exigeexige
Garantia se der erradoo que estiver no aditivoa regra da ANS

A portabilidade é mais forte. Ela é direito, aproveita as carências inclusive de parto e de doença preexistente, e não depende da boa vontade de ninguém.

A compra de carência é mais flexível. Não exige dois anos de plano, não exige compatibilidade de faixa de preço, e pode acontecer em situações que a portabilidade não alcança.

Quando a compra de carência é a melhor opção

Há um caso em que ela ganha, e é mais comum do que parece.

Quando você não cumpriu o tempo mínimo da portabilidade. Se você está há oito meses no plano e precisa trocar, a portabilidade está fechada — ela exige dois anos na primeira vez. A compra de carência não tem esse requisito, e pode ser o único caminho.

Também vale quando o plano de destino está fora da faixa de preço compatível, o que a portabilidade não permite e a negociação comercial, sim.

Se você cumpre os requisitos da portabilidade, porém, ela é o caminho melhor — veja portabilidade de carências.

O que quase nunca entra

Esta é a parte que gera arrependimento, e ela precisa estar clara antes da assinatura.

Carência de parto. A compra de carência normalmente não aproveita os 300 dias. Se você está planejando engravidar, confira isso antes de tudo.

Doença preexistente e CPT. Também costuma ficar de fora. Você pode cumprir CPT de novo, do zero, na operadora nova — até 24 meses.

São exatamente as duas carências mais longas, e são as que a portabilidade aproveita e a compra de carência não.

Exija por escrito

Nunca aceite compra de carência em conversa. O que vale é o termo aditivo ao contrato, assinado, dizendo quais carências foram reduzidas e em quanto.

Vendedor muda, operadora muda de política, e promessa verbal não se cobra. Peça o documento antes de assinar a proposta — não depois.

E confira, no aditivo, se parto e doença preexistente estão ou não incluídos. Se o documento não disser, pergunte e exija que diga.

Próximo passo

Me diga há quanto tempo você está no plano atual e por que quer trocar. Essas duas respostas definem o caminho: se você já tem dois anos, a portabilidade costuma ser melhor; se não tem, a compra de carência pode ser a única porta — e aí o que importa é o que está escrito no aditivo.

Os prazos completos de carência estão em carência do plano de saúde.

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